12 estados tentam barrar fusão bilionária Warner-Paramount

Doze procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos, liderados pela Califórnia, entraram com uma ação conjunta para bloquear a fusão entre a Warner Bros. Discovery e a Paramount, avaliada em US$ 110 bilhões. O processo foi protocolado em um tribunal federal em Sacramento, na Califórnia.
O grupo tenta impedir a união das empresas mesmo após o negócio ter recebido aprovação do Departamento de Justiça do governo de Donald Trump. O argumento central dos procuradores é de que a fusão reduzirá a concorrência na distribuição de filmes de grande lançamento nos cinemas, na produção de obras de alto orçamento e no licenciamento de canais de TV por assinatura.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que a fusão resultaria em preços mais altos e menor qualidade para o público. Além da Califórnia, assinam a ação os procuradores-gerais do Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington.
A petição detalha que, após a fusão, a empresa combinada ficará com mais de um quarto de cada dólar gerado por filmes de grande lançamento nos cinemas e canais básicos de TV por assinatura. Atualmente, Warner e Paramount respondem por cerca de 27% da bilheteria nos EUA e controlariam mais de 30% dos filmes de grande orçamento lançados em larga escala.
Os estados alertam que o novo conglomerado terá poder de barganha excessivo para ditar taxas e reter fatias maiores das bilheterias. Há também o temor de demissões em massa para amortizar a dívida da nova empresa. No mercado de TV paga, a empresa combinada controlaria mais de um quarto de toda a receita de canais básicos.
Os estados solicitaram que a Paramount e a Warner Bros. adiem a assinatura final do negócio até a resolução do processo. Caso as empresas recusem, os procuradores planejam apresentar uma liminar para suspender a fusão imediatamente. O procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, indicou que essa solicitação deve ocorrer ainda nesta segunda-feira.
Em resposta, um porta-voz da Paramount disse que a ação representa uma aplicação equivocada das leis antitruste. A companhia argumenta que a fusão é necessária para competir com gigantes do streaming, como Netflix e Disney+. A Paramount prometeu lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas, mas os procuradores afirmam que esse compromisso não possui força jurídica.