Musical ‘tick, tick… Boom!’ brilha em temporada curta

Poucas obras retratam com tanta honestidade as dúvidas, as angústias e as esperanças de quem decide perseguir um sonho artístico quanto ‘tick, tick… BOOM!’. Escrita por Jonathan Larson, criador do premiado musical ‘Rent’, a produção fez sua estreia na Off-Broadway em 2001. A peça conquistou sete indicações ao Drama Desk Awards e ganhou uma adaptação para o cinema em 2021, que rendeu a Andrew Garfield o prêmio de Melhor Ator em Comédia ou Musical.
O musical chegou aos palcos de São Paulo no Teatro Viradalata, em uma curtíssima temporada que se encerra neste domingo, 19 de julho. O espetáculo tem pouco mais de cem minutos. A direção é do trio formado por Luiza Lewicki, Julia Varga e Marcela Pires. A montagem convida o público a uma viagem de volta aos anos 1990, com uma reflexão intergeracional que se mantém atual.
A trama acompanha Jon (Matheus Boa), um jovem compositor prestes a completar trinta anos. Ele percebe que seus planos não saíram como desejava. Jon mantém um bom relacionamento com a namorada, Susan (Camille Dutra), e com o melhor amigo, Michael (Mariana Ramirez). Mas o sonho de emplacar um musical na Broadway ainda não foi realizado. Com a globalização dos anos 1990, o tempo parece passar rápido demais.
Jon está imerso no trabalho e vê isso afetar seus relacionamentos. Susan entra em uma nova fase da vida e percebe que decisões difíceis precisam ser tomadas. Michael abandonou a carreira de ator para trabalhar com marketing e tem um futuro promissor. Jon continua morando no mesmo apartamento pequeno e tenta emplacar sua mais nova criação, na esperança de uma leitura aberta que pode mudar sua carreira.
A estrutura narrativa é conhecida no teatro e no cinema, como visto em filmes como ‘La La Land’ e ‘O Diabo Veste Prada’. A peça de Larson lembra que nunca é tarde para apostar no que faz feliz. A felicidade é apresentada como algo subjetivo: Susan busca se reencontrar, Michael quer viver intensamente e Jon enfrenta um turbilhão de emoções em busca de seu objetivo.
No espaço do Teatro Viradalata, a montagem usa um design de produção simples para recriar os anos 1990. Os objetos de cena ajudam a construir o desespero de Jon. O cenário se torna parte ativa da história. Matheus Boa e Camille Dutra têm atuações sólidas, embora escorreguem em cenas mais dramáticas. Diego Montez se destaca ao interpretar vários personagens menores, equilibrando drama e comédia.
‘tick, tick… Boom!’ pode não funcionar em tudo que se propõe, mas agrada pela honestidade. A produção se apoia na praticidade e permite que o público se relacione com os personagens em diferentes níveis.