Michael Jackson: The Trial é um documentário perturbador que explora os eventos que levaram ao julgamento de Michael Jackson em 2005, quando ele foi acusado de molestar Gavin Arvizo, um garoto de 13 anos. Embora tenha sido considerado inocente de todas as acusações, o documentário, que conta com gravações inéditas do cantor, provoca uma reflexão profunda sobre sua personalidade e legado.
As gravações, que datam de 2000 e 2001, revelam um lado alarmante de Jackson. Em uma das fitas, o cantor declara: “Se você me dissesse agora… ‘Michael, você nunca mais poderá ver outra criança’… eu me mataria.” Essas declarações inquietantes fazem parte de um conjunto de materiais que, embora não provem de forma definitiva qualquer crime, levantam questões sobre o comportamento dele em relação a crianças.
O documentário não possui a mesma estética ou o impacto provocador de Leaving Neverland, o polêmico programa que apresentou os testemunhos de Wade Robson e James Safechuck, que alegam ter sido abusados por Jackson na infância. No entanto, Michael Jackson: The Trial se destaca ao compilar relatos de diversos envolvidos na história, permitindo que o público tire suas próprias conclusões sobre a veracidade das acusações e os comportamentos do cantor.
Um aspecto interessante abordado no documentário é a relação entre a família Arvizo e Jackson. Muitos já conhecem a famosa entrevista em que Jackson admite permitir que Arvizo dormisse em sua cama, um fato que desencadeou a investigação policial. Contudo, o documentário revela um vídeo não divulgado em que a família Arvizo defende Jackson após a exibição do documentário de Martin Bashir. A confusão e a dor visíveis nos rostos da família, especialmente de Gavin, são impactantes e levantam questões sobre a dinâmica dessa relação.
Louise Palanker, amiga da família Arvizo, compartilha reflexões sobre a mãe de Gavin, Janet, que estava passando por dificuldades financeiras e tentando proteger seus filhos. Palanker observa que, para Janet, a amizade com Jackson parecia ser uma bênção, oferecendo uma figura masculina bondosa em suas vidas. Essas nuances fornecem um contexto mais profundo, questionando se as intenções e percepções da família eram claras ou se estavam envolvidas em um jogo mais complexo.
O documentário também destaca as opiniões de pessoas próximas a Jackson, como Christian Robinson, que expressa suas preocupações sobre a maneira como o cantor era visto, quase como uma figura divina. Embora Robinson defenda a inocência de Jackson, ele reconhece que a imagem do cantor era problemática, especialmente no que diz respeito a compartilhar a cama com crianças. Essa dualidade é um tema recorrente ao longo da série, que aborda as áreas cinzentas que envolvem a figura de Jackson.
Além disso, o documentário menciona o que a polícia identificou como “materiais de grooming” encontrados em Neverland, incluindo revistas que continham imagens de crianças nuas. Vincent Amen, ex-publicitário de Jackson, expressa a dor emocional que sentiu ao descobrir tais materiais, um testemunho que ressalta a gravidade dos fatos em questão.
Conforme o documentário avança, ele faz referências a Leaving Neverland, talvez para legitimar sua própria existência ou prestar homenagem ao impacto que essa obra teve. Contudo, Michael Jackson: The Trial apresenta seus próprios argumentos e provocações, questionando a inocência de Jackson de uma maneira que ressoa com os espectadores. A série está disponível no Channel 4, convidando o público a refletir sobre a complexa e controversa vida de uma das figuras mais icônicas da música.

