A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está enfrentando um crescente número de notificações relacionadas a casos suspeitos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil. Entre os anos de 2020 e 2025, foram registradas seis mortes suspeitas, conforme reportado pelo portal G1 e confirmado pela Folha de S.Paulo.
Os medicamentos envolvidos são da classe dos agonistas do GLP-1, que são utilizados no tratamento de diabetes e obesidade. Exemplos incluem a semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida. A Anvisa revelou que, até o dia 7 de dezembro de 2025, foram contabilizadas 145 notificações de casos de pancreatite associadas ao uso dessas canetas emagrecedoras, de acordo com dados do sistema VigiMed, que monitora eventos adversos relacionados a medicamentos no país.
O aumento das notificações é notável: em 2020, apenas um caso foi registrado, enquanto em 2025 esse número saltou para 45, o maior volume na série histórica. As mortes suspeitas foram relatadas sem a especificação dos anos em que ocorreram, mas destacam a gravidade da situação. Além das notificações normais, quando são incluídos dados de pesquisas clínicas, o número total de casos suspeitos de pancreatite sobe para 225.
É importante ressaltar que a Anvisa já menciona a possibilidade de pancreatite nas bulas desses medicamentos, alertando sobre este evento adverso conhecido. A farmacêutica Elly Lilly, responsável pelo medicamento Mounjaro (tirzepatida), emitiu uma nota afirmando que a inflamação do pâncreas é uma reação adversa incomum e recomenda que os pacientes consultem seus médicos sobre os sintomas e interrompam o tratamento em caso de suspeita de pancreatite.
A Anvisa destacou que a notificação de um evento adverso não implica uma relação direta com o medicamento, mas é uma ferramenta vital para o acompanhamento da segurança dos produtos em uso. A agência também alertou que pode haver mais casos não reportados, uma vez que nem todas as informações são obrigatoriamente registradas pelos notificadores.
Os casos de pancreatite associados ao uso dessas canetas emagrecedoras não são exclusivos do Brasil. No Reino Unido, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) também relatou mortes relacionadas a episódios severos de inflamação do pâncreas causados por medicamentos para obesidade e diabetes. Especialistas observam que, apesar das preocupações, o risco de desenvolvimento de pancreatite para os usuários desses medicamentos é considerado baixo.
Segundo Célio Geraldo de Oliveira Gomes, gastroenterologista da Rede Mater Dei de Saúde, a associação entre o uso desses medicamentos e a pancreatite pode estar relacionada a uma estimulação anormal das células do pâncreas, alterando a secreção e a composição das enzimas digestivas. Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, acrescenta que os efeitos desses medicamentos no pâncreas são uma preocupação reconhecida desde os primeiros estudos clínicos, realizados há mais de 20 anos.
Com o aumento das preocupações sobre a segurança dos canetas emagrecedoras, é fundamental que pacientes e profissionais de saúde mantenham-se informados sobre os riscos associados ao seu uso, além de buscar orientações médicas adequadas para garantir um tratamento seguro e eficaz.

