A Última Casa: suspense sci-fi com Wagner Moura e Greta Lee

Wagner Moura e Greta Lee são dois dos nomes mais reconhecidos do cinema atual. Moura foi o primeiro ator brasileiro a vencer um Globo de Ouro e a ser indicado ao Oscar pelo trabalho em ‘O Agente Secreto’, além de ter marcado papéis em ‘Narcos’ e ‘Tropa de Elite’. Lee ganhou fama mundial com o drama ‘Vidas Passadas’, que lhe rendeu indicações ao Oscar, e com a série ‘The Morning Show’, que lhe deu uma indicação ao Emmy. Quando o suspense sci-fi ‘A Última Casa’ foi anunciado com a dupla como protagonistas, a expectativa entre os assinantes da Netflix cresceu.
A história acompanha a família Delgado, formada por Jason (Moura), Ann (Lee) e os filhos Graham (Noah Alexander Sosnowski) e Ruth (Riley Chung). Eles vivem no subúrbio de Seattle, cheios de dívidas e problemas. Depois de uma chuva forte atingir a região, a família fica presa dentro da própria casa, sem conseguir abrir portas ou janelas. Sem contato com as autoridades, eles tentam se comunicar com os vizinhos para entender o que está acontecendo.
O que parecia uma ação do governo se revela uma situação muito mais complicada. Os dias viram semanas, meses e anos. A família aceita a nova realidade e transforma a casa em um espaço de subsistência, vendo a natureza tomar conta do ambiente. Aos poucos, eles descobrem que criaturas se escondem na chuva constante e que a sobrevivência pode estar ameaçada.
O filme é dirigido por Louis Leterrier, conhecido por franquias como ‘Carga Explosiva’ e ‘Velozes e Furiosos’, além de projetos como ‘O Cristal Encantado’ e ‘Lupin’. Com esse histórico, Leterrier poderia ter entregue um thriller tenso com referências dos anos 1990 e 2000. Mas o resultado é uma série de convenções que termina em uma conclusão previsível.
A premissa é interessante e poderia caminhar para um conto de monstros ou uma abordagem lovecraftiana moderna, com críticas ambientais. O problema está no roteiro de Matthew Robinson, que cria personagens arquétipos e não sabe como desenvolver a história, escolhendo um desfecho clichê.
Moura e Lee se destacam com atuações que elevam o material. Os jovens Sosnowski e Chung também chamam atenção e trazem perspectivas diferentes para a trama. Gabriel Barbosa e Emma Ho, que interpretam as versões mais velhas de Graham e Ruth, aparecem bem, mas os personagens não têm desenvolvimento suficiente para gerar comoção.
Fora a promessa de algo que não se cumpre, ‘A Última Casa’ não traz novidades ao gênero. A produção, que chegou a construir uma casa do zero para as filmagens, é um dos pontos altos. O que impede o filme de ser um fracasso total é o elenco estelar. A produção já está disponível na Netflix.