Tônica: Muito Além de um Ingredientinho para Drinks
A água tônica é bem popular nos bares, especialmente por dar um toque especial aos coquetéis. Mas ela tem uma curiosidade que poucos sabem: brilha quando exposta à luz ultravioleta. Apesar de muitas marcas modernas adicionarem sabores cítricos e adoçantes para suavizar o gosto amargo, a tônica tradicional é feita apenas com água carbonatada e quinina. Esta substância, a quinina, é a responsável pelo efeito luminoso.
O brilho da quinina, que se chama fluorescência, só acontece em determinadas condições. A principal delas é quando suas moléculas absorvem luz ultravioleta, como a que vem de lâmpadas negras. Quando isso ocorre, as moléculas ficam excitadas e rapidamente liberam essa energia, aparecendo como um tom azul em um ambiente escuro.
A tônica é um item que todo bar necessita, mas, inicialmente, seu uso não era para a diversão, e sim para combater a malária. A quinina, extraída da casca da árvore cinchona da América do Sul, era utilizada pelos indígenas Quechua para curar problemas de estômago. No século 17, os europeus já notavam que ela ajudava a reduzir febres.
Na década de 1700, o médico escocês George Cleghorn descobriu que a quinina também era eficaz no tratamento da malária. Por ser o único remédio conhecido por séculos, a quinina foi misturada com água e chamada de “tônica”, distribuída entre soldados britânicos em regiões com muitos casos de malária. A história conta que os soldados começaram a adicionar a medicação ao gim e outras bebidas alcoólicas para melhorar o sabor amargo, dando origem ao famoso drink “gin tônica” que muitos conhecem hoje.
Entretanto, alguns pesquisadores acreditam que a mistura clássica surgiu nos anos 1860, sendo servida como uma bebida refrescante para os vitoriosos nas corridas de cavalos na Índia. Essa combinação se tornou uma tradição, tanto que é comum em diversas festas e celebrações.
A busca por alternativas à quinina acabou gerando uma mudança significativa também na moda. O cientista que procurava um substituto para a quinina encontrou um corante sintético chamado mauveína, que deu nome à cor roxa conhecida como mauve. No século 19, a quinina era muito cara porque vinha da casca da árvore cinchona, importada da América do Sul.
Pesquisadores como William Perkin tentaram produzir uma versão sintética que não usasse a casca da árvore. Em uma de suas tentativas, ele usou uma substância chamada anilina que resultou em um material espesso e escuro, que não era fácil de remover. Ao perceber que o novo produto tinha habilidades de manchar, Perkin decidiu patentear essa substância como o primeiro corante sintético do mundo.
Esse novo corante era mais fácil de usar do que os corantes naturais e ainda tinha a vantagem de fixar as cores. Após sua descoberta, Perkin abriu uma fábrica de tingimento de tecidos, que ajudou a fazer brilhar a nova moda da cor mauve. Até a rainha Vitória entrou na onda, usando um vestido roxo na Exposição Internacional de 1862.
Assim, a água tônica é na verdade um item com uma história rica, cheia de transformações que vão além dos drinks. Ela é um símbolo de como uma simples bebida pode ter contribuído, de maneira inesperada, para a ciência e a moda.
Em resumo, a água tônica não é apenas uma bebida; é uma parte importante da história da medicina e da moda. A quinina com suas propriedades únicas trouxe à tona a criatividade de cientistas e a elegância de roupas que fazem parte da nossa história cultural.
Agora você sabe: a tônica é muito mais do que um acompanhamento para o seu drink. É um pedaço de história que continua viva em nossos copos e em nossas roupas, mostrando como a ciência se entrelaça com o nosso dia a dia de maneiras que muitas vezes não percebemos. Aproveite sua próxima tônica com um novo olhar!
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