A conversa sobre o autismo em idosos está se expandindo no Brasil, especialmente agora que novos dados mostram que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) também afeta pessoas acima dos 60 anos. Isso tem revelado uma realidade que, por muito tempo, ficou escondida, tanto para as famílias quanto para os profissionais da saúde.

    Estudos recentes indicam que cerca de 0,86% dos idosos no Brasil têm algum grau de autismo. Isso pode significar centenas de milhares de pessoas, a maior parte homens, conforme informações do Censo Demográfico de 2022 e outras pesquisas científicas. No mundo, a Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 70 milhões de pessoas vivem com autismo, mostrando que essa é uma questão global. O crescimento dessa discussão no Brasil é um passo importante para entender melhor o que os idosos com TEA precisam em termos de diagnóstico e atendimento.

    Quais são os principais desafios do autismo em idosos?

    Viver com autismo na terceira idade traz uma série de desafios. Muitas vezes, esses idosos enfrentam mais problemas de saúde mental e física. É comum que eles tenham outras condições, como doenças cardiovasculares, o que deixa a necessidade de acompanhamento médico ainda mais urgente. Além disso, o autismo pode dificultar a comunicação e a adaptação a mudanças na rotina, o que complica ainda mais a busca por cuidados de saúde.

    O que muitos não percebem é que as características do autismo, como a dificuldade de comunicação e a sensibilidade a estímulos sensoriais, podem tornar uma simples consulta médica numa experiência estressante. Isso pode fazer com que muitos idosos evitem procurar atendimento.

    Aqui vão alguns dos desafios comuns:

    • Dificuldade de comunicação: Pode dificultar a descrição de sintomas físicos ou emocionais.
    • Sobrecarga sensorial: Sons e luzes muito fortes tornam ambientes, como hospitais, mais complicados de lidar.
    • Rigidez comportamental: Mudanças na rotina podem causar muito estresse.
    • Comorbidades: Muitas vezes, esses idosos têm condições psiquiátricas e doenças crônicas associadas.

    Por que o diagnóstico de TEA em idosos costuma ser tardio?

    O diagnóstico tardio é um problema frequente. Muitos sinais, como isolamento social e interesses restritos, são vistos como traços de personalidade ou somente consequências do envelhecimento. Isso leva a confusões com outras condições, como depressão ou demência, e dificulta o diagnóstico correto.

    Outro desafio é a escassez de profissionais que saibam identificar o TEA em pessoas mais velhas. Historicamente, o autismo foi relacionado quase que exclusivamente à infância. Quando finalmente recebem o diagnóstico, muitos idosos e suas famílias sentem que finalmente conseguem entender seus desafios e ajustar cuidados.

    Alguns dos fatores que contribuem para o diagnóstico tardio incluem:

    1. Falta de avaliação neuropsiquiátrica ao longo da vida.
    2. Confusão com outras condições mentais.
    3. Pouca experiência dos profissionais com o TEA em adultos.
    4. Estereótipos sobre o que significa ser autista.

    Quais caminhos podem fortalecer o cuidado ao idoso com autismo?

    A conversa sobre TEA em idosos revela a necessidade urgente de estratégias específicas na saúde pública. Isso inclui ações de identificação do autismo em unidades de saúde, ambulatórios geriátricos e serviços de saúde mental. A capacitação de equipes multidisciplinares é crucial para que possam reconhecer os sinais e adaptar o atendimento às necessidades sensoriais e cognitivas dos idosos.

    Além disso, pequenas adaptações podem ajudar. Por exemplo, criar ambientes mais tranquilos, elaborar rotinas previsíveis e usar uma linguagem clara nas orientações pode fazer uma enorme diferença.

    À medida que a população brasileira envelhece, entender o autismo no envelhecimento é essencial para garantir que esses idosos recebam o cuidado e o apoio que merecem.

    Aqui estão algumas sugestões práticas para melhorar o atendimento:

    • Adaptar os ambientes para reduzir estímulos sensoriais intensos.
    • Criar rotinas previsíveis durante consultas e exames.
    • Usar uma linguagem clara e direta nas orientações.
    • Incluir familiares ou cuidadores na organização das consultas.
    • Promover a integração entre geriatria, psiquiatria, neurologia e psicologia.

    Essas abordagens são fundamentais para oferecer um cuidado mais eficaz e humanizado para os idosos com autismo, promovendo uma qualidade de vida melhor para eles e suas famílias.

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