A implantação da Bolsa Cuidador Familiar no Paraná está fazendo a diferença para muitas famílias que cuidam de idosos com dependência. O programa oferece um pagamento mensal, ajudando aqueles que precisaram deixar ou diminuir suas atividades profissionais para dar todo o cuidado que um idoso precisa em casa. Assim, se evita a institucionalização precoces e se valoriza o cuidado familiar.

    A Bolsa é coordenada pela Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi) e integra as ações do Paraná Amigo da Pessoa Idosa. O foco é manter os idosos com suas famílias, contando com o suporte do Sistema Único de Assistência Social (Suas), além de serviços de saúde e outras políticas públicas.

    Como funciona a Bolsa Cuidador Familiar no Paraná?

    Esse benefício financeiro, que é temporário, é destinado a parentes que assumem o cuidado de idosos com alta dependência. Em 2025, o valor é de meio salário mínimo, aproximadamente R$ 759, que é depositado diretamente na conta de quem cuida do idoso, por um período de até 24 meses. A iniciativa busca valorizar esse trabalho que, geralmente, é feito sem remuneração e pouca proteção social. Além de complementar a renda em lares que enfrentam dificuldades financeiras, o programa ajuda a evitar internações em instituições e melhora o acompanhamento da saúde dos idosos.

    O programa passou por testes em algumas cidades antes de ser lançado oficialmente em novembro de 2025, com os primeiros pagamentos feitos em dezembro. Em Ivaiporã, por exemplo, 15 cuidadores começaram a se inscrever, mas apenas quatro famílias atenderam todos os requisitos, mostrando a rigidez do processo de seleção. Isso reforça a necessidade de informar melhor a população sobre o benefício.

    Quais são os critérios para receber a Bolsa Cuidador Familiar?

    Para se qualificar para a Bolsa Cuidador Familiar, algumas condições precisam ser atendidas. O cuidador precisa ser um parente direto do idoso, morar junto e demonstrar que o cuidado impede que mantenha um emprego formal.

    Os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) são os responsáveis por fazer a triagem, checar os documentos e acompanhar a rotina das famílias. A equipe analisa a situação de saúde do idoso, a disponibilidade do parente que cuida e a renda familiar, oferecendo orientações sobre outros benefícios e serviços disponíveis na região.

    Os principais critérios incluem:

    • Morar com o idoso e ser um familiar direto.
    • Estar inscrito no CadÚnico.
    • Renda de até um salário mínimo por pessoa na família.
    • Receber o benefício mensal por até 24 meses.
    • Coordenação realizada pela Semipi, em parceria com os municípios.

    O que muda com o Bolsa Cuidador Familiar?

    Em Ivaiporã, uma mulher de 53 anos deixou seu emprego de diarista para cuidar do marido de 69 anos, que ficou acamado após três derrames. Com a aposentadoria dele como única fonte de renda, as despesas aumentaram muito, especialmente com medicamentos e cuidados específicos.

    Além de cuidar do marido, essa mulher também é responsável por três netos, o que sobrecarrega ainda mais sua rotina. Com a Bolsa, a família conseguiu um apoio financeiro, ajudando a cobrir gastos essenciais, como remédios e contas.

    Vale destacar que o benefício não substitui a aposentadoria, mas serve como um complemento importante, garantindo um mínimo necessário num cenário onde a demanda por cuidados é alta e as oportunidades de trabalho são escassas. Isso significa mais segurança financeira e a possibilidade de planejar melhor a rotina de cuidados.

    Entre as melhorias que o programa proporciona estão:

    1. Menos necessidade de sair de casa para o cuidador.
    2. Maior estabilidade nos gastos com saúde do idoso.
    3. Melhor organização das rotinas de cuidado.
    4. Fortalecimento do laço familiar dentro de casa.

    Qual é a importância do acompanhamento pelo Cras e pela rede de assistência?

    O Bolsa Cuidador Familiar vai além do pagamento mensal; ele está conectado à rede de assistência social. Isso significa que o Cras e outros serviços monitoram as famílias, oferecem orientações e, quando necessário, encaminham para serviços de saúde ou apoio psicológico.

    Com esse acompanhamento, é possível verificar se os idosos estão recebendo os cuidados adequados e se os cuidadores têm algum suporte. Em muitos casos, o programa se integra a outras políticas públicas, como atendimentos em unidades de saúde e fornecimento de medicamentos pelo SUS, reforçando a proteção social tanto do idoso quanto de sua família.

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