O governo do Reino Unido, sob a liderança do primeiro-ministro Keir Starmer, enfrenta uma crise significativa após a renúncia de Morgan McSweeney, chefe de gabinete do premiê. A decisão de McSweeney foi tomada em meio ao escândalo envolvendo Jeffrey Epstein, o bilionário americano que morreu na prisão em 2019 após ser condenado por crimes sexuais.

    McSweeney assumiu “total responsabilidade” por ter aconselhado Starmer a nomear Peter Mandelson, uma figura próxima a Epstein, como embaixador britânico nos Estados Unidos. Em sua carta de demissão, ele reconheceu que a escolha de Mandelson foi um erro, afirmando que prejudicou o partido, o país e a confiança na política.

    O escândalo ganhou novos contornos após a polícia iniciar uma investigação criminal sobre alegações de que Mandelson teria repassado informações sensíveis a Epstein em 2009. Documentos revelados nos Estados Unidos mostraram e-mails da época em que Mandelson era secretário de negócios do Reino Unido, incluindo mensagens de apoio a Epstein durante as acusações de crimes sexuais que ele enfrentava em 2008.

    Além disso, informações recentes indicaram que o marido de Mandelson, Reinaldo Ávila da Silva, recebeu pagamentos de US$ 75 mil do bilionário, levando Mandelson a deixar o Partido Trabalhista para evitar mais constrangimentos. Em setembro do ano passado, Starmer já havia anunciado a demissão de Mandelson como embaixador, citando novas informações sobre a relação entre ele e Epstein.

    O Ministério das Relações Exteriores declarou que a profundidade da relação de Mandelson com Epstein era “substancialmente diferente” do que se sabia na época de sua nomeação. Starmer, por sua vez, acusou Mandelson de desinformar durante o processo de verificação de segurança para o cargo. Mandelson, no entanto, defende que respondeu corretamente às perguntas e nega qualquer intenção criminosa.

    A pressão sobre o governo Starmer

    A renúncia de McSweeney acontece em um momento em que seu papel como chefe de gabinete era considerado crucial para a reestruturação do Partido Trabalhista. Ele era amplamente reconhecido como o arquétipo do renascimento do partido e creditado pela vitória nas últimas eleições, que colocaram Starmer no poder. Contudo, McSweeney também se tornou um alvo de críticas, funcionando como um “para-raios” em um governo que já enfrenta turbulências.

    A grande questão agora é se a saída de McSweeney irá aliviar a pressão sobre a crise política ou se, ao removê-lo, a responsabilidade passará a recair diretamente sobre Starmer. No momento da nomeação de Mandelson, muitos acreditavam que era uma escolha acertada, dada a necessidade de um diplomata habilidoso em Washington, especialmente após a ascensão de Donald Trump. No entanto, as revelações subsequentes alteraram essa percepção.

    Apesar da ampla maioria obtida por Starmer nas eleições, seu governo tem enfrentado uma instabilidade que normalmente é associada ao final do mandato de um primeiro-ministro. O desdobramento dessa crise ainda é incerto, mas a pressão sobre o governo certamente aumentará, à medida que novos detalhes sobre a relação entre Mandelson e Epstein continuam a emergir.