A Oi, uma das maiores operadoras de telecomunicações do Brasil, enfrenta uma situação crítica que gera incertezas tanto para os funcionários quanto para o futuro da empresa. Em entrevista ao noticiário, João de Moura Neto, presidente da Fitratelp, relatou um clima de desânimo e falta de direção entre os colaboradores, que se sentem sem perspectivas em relação à gestão judicial da companhia, conduzida pelo administrador Bruno Rezende.

    Moura enfatiza que, apesar de a Oi ainda estar operacional, com clientes e serviços em funcionamento, a gestão atual parece estagnada. “Está quase todo mundo em home office sem saber qual vai ser o próximo passo”, comentou. A falta de um plano estratégico claro gera preocupações entre os funcionários, que temem um destino semelhante ao da Serede, que decretou falência e demitiu todos os seus empregados sem planejamento prévio.

    Desafios e Incertezas

    Uma das principais críticas de Moura é a ausência de um plano de demissões ou alternativas para funcionários que desejam deixar a empresa, mas têm muitos anos de casa. “Parece que a empresa existe hoje apenas para pagar os credores”, afirma. A Oi, com um histórico de recuperação judicial desde 2016, tinha uma expectativa de retornar ao mercado como uma empresa enxuta e operacional, mas essa visão parece ter se dissipado.

    O clima de incerteza é amplificado pela falta de comunicação efetiva entre a administração judicial e os colaboradores. “O administrador judicial raramente se dirige aos funcionários e não sinaliza quais serão os próximos passos”, relatam servidores que pediram anonimato. A venda da V.tal, antecipada para 5 de março, pegou muitos de surpresa, quando muitos esperavam um enfoque em vendas de ativos, como imóveis.

    A Crise da Oi e o Papel da Justiça

    A Oi já passou por diversas instâncias judiciais, e a decretação de falência poderia ter preservado o patrimônio da empresa para assegurar o pagamento de débitos trabalhistas. No entanto, a decisão foi contestada por bancos credores, e a empresa retornou ao estágio de recuperação judicial, mas em um contexto de incerteza e falta de propostas viáveis para a continuidade de suas operações.

    Os funcionários expressam a necessidade de um compromisso da administração com a continuidade da empresa. “Ninguém quer a falência de uma empresa; os funcionários querem continuar trabalhando”, argumenta Moura. Ele ressalta que o ideal seria uma gestão organizada da falência, que preservasse o patrimônio e garantisse os direitos trabalhistas.

    A administração judicial da Oi, em resposta às críticas, afirmou que mantém canais abertos de comunicação com os sindicatos e que todas as obrigações trabalhistas estão sendo cumpridas. Contudo, a percepção interna é de que a gestão atual se assemelha à de uma massa falida, focada apenas em pagar salários e credores.

    Um Futuro Incerto

    Com a Oi fora da categoria de concessionária, a Anatel, agência reguladora do setor, confirmou que o acompanhamento das operações e finanças da empresa foi descontinuado. A prioridade agora é recuperar garantias e depósitos judiciais. Entretanto, não há um plano claro sobre o que acontecerá com os serviços essenciais prestados pela Oi em localidades onde a operadora é a única fornecedora.

    A falta de um plano de contingência para a continuidade dos serviços em caso de falência traz ainda mais apreensão aos funcionários e à população que depende da Oi. As federações sindicais têm buscado apoio do governo e de parlamentares, mas a resposta tem sido limitada devido à nova realidade da empresa.

    Em meio a esse cenário conturbado, resta aos funcionários da Oi esperar por diretrizes claras e um futuro mais promissor, enquanto a administração judicial navega pelas incertezas de uma recuperação que parece cada vez mais distante.