Tradutora DETONA adaptação de “A Odisseia”: “Sem profundidade”

Em cartaz nos cinemas nacionais, ‘A Odisseia’ continua gerando debates. A crítica mais recente veio da tradutora e classicista Emily Wilson. Segundo a especialista, o épico “não tem nada de convincente a dizer” e carece de “profundidade psicológica, emocional, política e ética”.
Em artigo no The Guardian, Wilson criticou o diretor Christopher Nolan. Ela apontou uma desconexão entre o visual e a narrativa. “Eu esperava que a afinidade de Nolan com esses temas homéricos o levasse a novos patamares criativos. Mas A Odisseia apresenta a combinação habitual de grandiosidade e superficialidade”, afirmou.
A pesquisadora destacou lacunas em comparação com a obra original. “O filme não tem nada de convincente a dizer sobre tempo, memória, história, guerra ou sobre a relação entre o retorno de um guerreiro e a vida de sua família. Falta profundidade psicológica, emocional, política e ética. O roteiro é péssimo”, disse.
Wilson, professora da Universidade da Pensilvânia, lembrou que Nolan elogiou sua tradução. “Eu teria vergonha de ter escrito qualquer parte deste roteiro”, disparou. Ela reforçou que o longa não gerou conexão emocional. “O filme não me emocionou em nenhum momento”, completou.
Apesar das críticas, Wilson reconheceu a importância cultural do projeto. “O lançamento ainda é um acontecimento a ser celebrado. Esse épico está levando o público de volta aos cinemas. As traduções da Odisseia estão vendendo muito”, destacou. “Nolan está fazendo o possível para que o público volte a ler, e sou grata por isso”, concluiu.
O filme segue em exibição nos cinemas nacionais. A trama acompanha o guerreiro grego Odisseu (Matt Damon) em sua jornada de volta para casa após a Guerra de Tróia. O elenco inclui Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Zendaya, Charlize Theron e outros.
Orçado em US$ 250 milhões, o longa foi filmado inteiramente com câmeras IMAX de 70 mm. A produção é um dos lançamentos mais aguardados do ano.