Wagner Moura, ator brasileiro conhecido mundialmente, compartilhou suas reflexões sobre a carreira e a vida em Hollywood em recente entrevista. Ele fez uma comparação inusitada ao falar sobre a busca por autenticidade em sua carreira, afirmando que é semelhante a uma criança que desobedece aos pais. Moura, que interpretou Pablo Escobar na famosa série “Narcos”, relata desafios enfrentados ao recusar propostas que não se alinhavam aos seus valores, mesmo após ter alcançado reconhecimento internacional.

    Após seu sucesso como Escobar, Moura recusou vários papéis importantes que seus agentes acreditavam serem ideais para sua carreira. Ele recorda que sentia certa satisfação em dizer “não” às propostas que não ressoavam com suas convicções. Agora, ele se encontra em uma nova fase, prestes a experimentar um grande sucesso com o filme “O Agente Secreto”, um thriller político que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e prêmios em importantes festivais de cinema, como Cannes.

    Neste filme, Moura interpreta Armando, um pai viúvo em fuga durante a ditadura militar brasileira, que precisa se esconder e cuidar dos outros enquanto aguarda uma oportunidade de escapar do país. O papel não apenas destaca seu talento como ator, mas também reflete sua habilidade em abordar questões políticas e sociais, o que tem sido uma constante em sua carreira.

    Moura, que tem 49 anos, acredita que a firmeza em suas escolhas se origina de valores que aprendeu com seu pai, um sargento da Força Aérea. Em diversas ocasiões, ele afirma que não pretende se tornar a “bússola moral” de ninguém, mas se esforça para se manter fiel a seus princípios.

    Durante a entrevista, Moura expressou seu carinho pelo Brasil, onde ganhou reconhecimento inicialmente por suas atuações em telenovelas e pelo sucesso do filme “Tropa de Elite”. Nos últimos anos, ele se manifestou contra o governo anterior, o que gerou polêmicas e divisões de opinião. Embora tenha enfrentado críticas, ele defende suas crenças, ressaltando que a cultura do país é rica e cheia de diversidade, mas também apresenta problemas sociais significativos.

    Sobre a reação à sua carreira, Moura comentou que, mesmo enfrentando hostilidade e desconfiança de certos segmentos da sociedade, ele se dedica a interpretar personagens que representem a complexidade do ser humano. Ele observa que a arte tem o poder de provocar reflexões sobre a história e a política, e espera que seu trabalho ajude a lembrar os perigos de esquecer o passado.

    Mesmo com as dificuldades, Moura sentiu sinais de reconciliação entre os brasileiros em relação a seus projetos, como demonstrado pelo sucesso de “O Agente Secreto”, que atraiu público significativo ao estrear no país. Ele acredita que filmes com temas políticos ajudam a resgatar a memória histórica do Brasil.

    Moura também comentou sobre seu papel na filmografia, destacando que sempre teve o desejo de interpretar personagens multifacetados, independentemente das expectativas do mercado hollywoodiano. Ele já está preparando um novo projeto, “Last Night at the Lobster”, sobre um restaurante em processo de fechamento, que ele considera também político.

    Por fim, Moura reflete que o reconhecimento atual em sua carreira é especial e diferente de indicações anteriores, destacando que, apesar de toda a pressão, ele se recusa a sacrificar suas convicções, focando em sua arte e na história que deseja contar.

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