Meta remove 750 mil contas de adolescentes na Austrália

A Meta divulgou novos dados sobre o cumprimento da proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos na Austrália. A empresa informou que, desde junho de 2025, removeu o acesso a mais de 750 mil contas australianas no Facebook e no Instagram que seus sistemas identificaram como pertencentes a pessoas abaixo da idade mínima.
O número é maior que as 550 mil contas de adolescentes reportadas pela Meta em janeiro. A companhia tem trabalhado para melhorar sua detecção e aplicação das regras enquanto as autoridades australianas aumentam a pressão sobre os aplicativos para que cumpram a nova legislação.
Segundo a Meta, a aplicação das regras é contínua e os números devem crescer. A empresa afirma que reporta suas ações à eSafety Commissioner e continuará publicando atualizações periodicamente para manter transparência com o público.
A Meta atribuiu o aumento das ações de remoção à melhoria contínua de seus sistemas de detecção, especialmente as ferramentas de inteligência artificial, que identificam mais contas de adolescentes ao longo do tempo. A empresa usa IA para analisar perfis, incluindo publicações, comentários, bios e legendas, em busca de pistas contextuais de que a conta pertence a alguém com menos de 16 anos, como celebrações de aniversário ou menções a séries escolares.
A empresa também facilitou o processo para pais e comunidade reportarem contas suspeitas de pertencerem a menores. Além disso, realizou uma campanha educativa no Facebook e no Instagram para explicar como a Meta detecta e remove contas de menores de 16 anos e o que acontece com a conta e as memórias do adolescente quando ela é removida.
Fiscalização ainda enfrenta desafios
Apesar do aumento nas ações, dados da própria eSafety Commission da Austrália mostram que, nesta fase, a maioria dos menores de 16 anos no país ainda acessa as redes sociais. Um relatório divulgado neste mês apontou que 81,5% dos usuários menores de idade continuam acessando os aplicativos restritos.
A Comissão atribuiu a responsabilidade principalmente às próprias plataformas. Entre os motivos citados pelas crianças para ainda manterem contas, 50,2% disseram que a plataforma não pediu confirmação de idade e 18,2% relataram que a plataforma estimou incorretamente sua idade.
A eSafety Commission afirmou que vai aumentar as penalidades para aplicativos que não cumprirem os novos requisitos, embora as regras ainda sejam consideradas vagas e abertas a interpretações. A Meta tem destacado esse problema e pedido uma aplicação mais uniforme das regras para garantir condições justas de concorrência.
A empresa defende que deveria haver um único sinal confiável de idade no nível do sistema operacional ou da loja de aplicativos, permitindo que a idade fosse verificada uma única vez, quando o jovem configura o dispositivo ou baixa um aplicativo, em vez de repetidamente em cada plataforma. A Meta já afirmou diversas vezes que a verificação de idade na loja de aplicativos e orientações uniformes seriam mais eficazes do que processos individuais de verificação em cada plataforma.
A eSafety Commission, por sua vez, classificou as preocupações iniciais como parte do período de implementação e disse que será necessário tempo para avaliar o efeito real das restrições. O relatório da Comissão também indicou que a maioria das crianças não viu melhora nos impactos negativos associados ao uso problemático das redes.