Instagram Plus e Reels: 4 Novos Recursos para Marketing

Instagram lança Instagram Plus e novos recursos para Stories
O Instagram anunciou o lançamento do Instagram Plus, uma assinatura opcional de US$ 3,99 por mês que adiciona recursos premium à plataforma, que continua gratuita. A novidade se soma ao Meta Verified e ao Meta AI como mais uma opção paga, mas a empresa garantiu que o acesso básico à rede social não será cobrado.
A maioria dos novos recursos está concentrada nos Stories. O Story Spotlight move o story de um assinante para o início da fila de stories dos seguidores. O Story Extend mantém o story visível por 48 horas, em vez das 24 horas padrão. Já o Multiple Story Audiences permite segmentar quem vê cada story, criando listas de espectadores. A assinatura também inclui fontes personalizadas para a criação de stories.
Para a estrategista de marca pessoal Chelsea Peitz, o Instagram Plus é uma oferta de nicho, mais útil para marcas pessoais com forte engajamento da comunidade nos Stories. Ela observa que a adoção de assinaturas premium em redes sociais costuma ficar em números de um dígito percentual. Muitos criadores já pagam US$ 14 por mês pelo Meta Verified, e adicionar outra assinatura, mesmo barata, aumenta os custos. O valor de cerca de US$ 50 por ano não é proibitivo, mas a proposta precisa atender a um caso de uso específico.
Entre os recursos, o Story Spotlight é o mais interessante para profissionais de marketing. A maioria dos usuários abre o Instagram e toca no primeiro story que vê, sem rolar pela lista completa. Como não há como ordenar a barra por favoritos, a posição importa. Ficar no início da fila funciona como um aumento de alcance, especialmente para marcas que dependem dos Stories para manter a comunidade engajada.
O problema é a saturação: se muitos assinantes usarem o recurso, a vantagem se dilui. Chelsea ressalta que, independentemente da posição ou do tempo de exibição, o conteúdo precisa ser bom. Pagar por destaque não corrige uma narrativa fraca.
Stories como ferramenta de meio de funil
A questão estratégica é se os Stories ainda justificam investimento. Chelsea acredita que sim, principalmente para marcas pessoais. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, já disse publicamente que os usuários estão migrando para o engajamento privado, passando mais tempo em Stories e mensagens diretas e menos tempo publicando no feed. O feed de Reels funciona como televisão, com visualização passiva. Os Stories, por outro lado, são uma superfície de escolha, onde membros engajados da comunidade se conectam com criadores que decidiram acompanhar.
Parte da força dos Stories é a facilidade de criação: não é preciso gancho, edição ou polimento. O formato cru e simples é o que gera conexão. Essa facilidade torna os Stories sustentáveis, ao contrário do conteúdo polido dos Reels.
Isso posiciona os Stories como meio de funil. Os Reels atraem novos públicos no topo. Os Stories nutrem quem já segue. Para marcas com bom desempenho no topo do funil, mas sem estratégia de meio, investir em Stories pode preencher essa lacuna.
Sobre o Story Extend, Chelsea alerta que quem acompanha métricas precisa considerar a janela duplicada. Um aumento de 50% nas visualizações parece bom até lembrar que o story ficou no ar o dobro do tempo. Na prática, republicar o story no dia seguinte tem o mesmo efeito, sem assinatura.
Quem deve considerar o Instagram Plus
O Instagram Plus é mais relevante para marcas pessoais com comunidade ativa nos Stories, criadores que querem testar recursos como fontes personalizadas e empresas com orçamento de marketing dispostas a testar por US$ 4 mensais. Para quem já paga o Meta Verified, outra assinatura parece menos atraente. Os recursos são opcionais e de nicho, não uma mudança na forma como a plataforma funciona.
A preocupação maior é o que acontece se a Meta continuar adicionando assinaturas a uma plataforma que os usuários tratam como gratuita. Toda plataforma com fins lucrativos equilibra novas fontes de receita e a insatisfação dos usuários. Enquanto os recursos forem opcionais, o risco é baixo. Mas se os usuários se sentirem explorados, o engajamento pode cair, afetando todos que publicam na plataforma.
Seu Algoritmo: novo recurso dá controle ao usuário
O Instagram lançou o recurso Your Algorithm (Seu Algoritmo), um painel de configurações onde os usuários podem ver as categorias de tópicos que o Instagram atribuiu aos seus interesses e adicionar ou remover tópicos para moldar o que a plataforma recomenda. O recurso vale para Reels, Explorar e feed principal, mas não para Stories, que são baseados em contas que o usuário segue, não em recomendações algorítmicas.
No anúncio, Adam Mosseri lembrou que o Instagram foi uma das últimas grandes plataformas a adotar um modelo baseado em recomendações, com o TikTok lançando dessa forma e o YouTube mudando anos antes. Com os usuários vendo conteúdo de contas que não seguem, o Seu Algoritmo permite direcionar o que é recomendado.
Chelsea testou o recurso quando foi lançado para Reels. As sugestões de tópicos eram precisas. Ela adicionou alguns, removeu outros e notou mudanças imediatas no conteúdo. Depois, nunca mais voltou ao painel. O recurso funcionou, mas não exigia revisão constante. Ela também descobriu que a busca por tópicos só funciona em nível amplo; termos específicos não retornam resultados. O sistema usa categorias amplas, não nichos detalhados.
Esse padrão deve se repetir na maioria dos usuários. O usuário médio provavelmente não sabe que o recurso existe. Não houve anúncio em destaque no aplicativo, e muitos nem sabem que podem tocar nos três pontos de uma publicação e selecionar “não tenho interesse”. Profissionais de marketing vão encontrar e usar. A maioria dos consumidores, não.
Como adaptar a estratégia para algoritmos controlados pelo usuário
Para Chelsea, o Seu Algoritmo não exige mudanças fundamentais de estratégia. A recomendação no Instagram sempre foi postar sobre o mesmo assunto de forma consistente. Contas conhecidas por um tema tendem a alcançar mais pessoas novas por recomendações. Isso não mudou.
A orientação é focar nos problemas do público, em vez de tentar decifrar as categorias de tópicos do Instagram. O objetivo não é criar conteúdo viral, mas ser viável para as pessoas que a marca pode atender. Isso significa saber quem é o público, entender seus problemas e emoções e mostrar como o produto ou serviço resolve essas questões com experiência própria e uma perspectiva distinta. Essa abordagem é anterior às recomendações algorítmicas e deve sobreviver a qualquer mudança na plataforma.
Chelsea também levanta uma questão sobre como o Instagram categoriza o conteúdo dos criadores. Em sua própria publicação, ela notou que o sistema pode classificar conteúdo de forma imprecisa, o que pode afetar quem recebe as recomendações. A categorização ampla pode não capturar a especificidade do trabalho de um criador, exigindo que os profissionais de marketing verifiquem como seu conteúdo está sendo classificado e ajustem a estratégia conforme necessário.