Treine a IA para Pensar como Você

O artigo apresenta um método para treinar inteligência artificial (IA) para que ela reproduza a forma de pensar e escrever de um profissional, em vez de gerar respostas genéricas. A abordagem, desenvolvida por Max Bernstein em parceria com Michael Stelzner, propõe a criação de um “perfil cognitivo” a partir de transcrições de reuniões e conversas reais.
Segundo Bernstein, a prática comum de entrevistar o usuário para coletar informações sobre seu estilo de trabalho tem limitações. Esse método captura apenas o que a pessoa consegue descrever conscientemente, o que representa uma pequena parte do conhecimento de um especialista. A proposta é usar transcrições de situações reais para capturar o que ele chama de “conhecimento tácito”, um conceito do filósofo Michael Polanyi que indica que os especialistas sabem mais do que conseguem explicar.
As quatro camadas do conhecimento
O método de Bernstein organiza o conhecimento em quatro camadas. A primeira é o conhecimento declarativo, que é a descrição superficial do que a pessoa faz, como em um perfil profissional. A segunda é o conhecimento procedural, que envolve o passo a passo de como o trabalho é executado.
A terceira camada é o conhecimento condicional, que define a lógica de decisão por trás das ações, ou seja, quando e por que usar determinados processos. Bernstein chama essa camada de “DNA de decisão”. A quarta e mais profunda camada é o conhecimento metacognitivo, que diz respeito aos modelos mentais da pessoa. Bernstein observa que a percepção que alguém tem de seus próprios modelos mentais frequentemente não corresponde ao que as transcrições revelam sobre seu comportamento real.
Coleta e processamento de dados
Para o processo, são necessárias transcrições de conversas reais em que a pessoa esteja resolvendo problemas ou aconselhando alguém. Chamadas com clientes, sessões de coaching e reuniões de equipe são exemplos de situações que geram material útil. Apresentações preparadas ou roteirizadas não são recomendadas, pois contêm conhecimento ensaiado, não pensamento espontâneo.
Recomenda-se começar com três a cinco transcrições de situações diferentes. A variedade é tão importante quanto a quantidade para que os padrões de pensamento apareçam em diferentes contextos. Uma dica é adicionar uma nota no início de cada arquivo indicando o tipo de conversa, como “sessão de coaching” ou “reunião de equipe”.
Para reuniões virtuais, ferramentas como Google Meet, Zoom e Fathom geram transcrições automaticamente. Bernstein sugere o Granola para maior personalização. Para conversas presenciais, ele recomenda gravadores vestíveis como o Plaud. Já para sessões de pensamento individual, ferramentas de voz para texto como o Wispr Flow podem ser usadas, e Bernstein nota que comandos falados tendem a produzir melhores resultados na IA do que os digitados.